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A mulher tem de ceder - será?

por Claudia, em 31.03.15

Hoje de manhã li um artigo muito interessante sobre a maternidade e o mundo do trabalho, que me transportou para as minhas aulas de Gender Issues in Management no Canadá, mas também para conversas recentes com amigas que tiveram bebé há uns meses. Penso que é um tema com o qual qualquer mulher que queira ser Mãe (ou já o seja) se debate - qual o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida familiar? Será que ao assumir o papel de Mãe tenho necessariamente de prejudicar a carreira? Como é que vou conseguir conciliar um horário puxado no escritório com o ir buscar as crianças à escola, acompanhá-las nas suas tarefas, TPCs, banho, jantar, enfim, com o ser uma Mãe presente? É algo que me preocupa, especialmente quando já vi prejudicarem mães recentes nas promoções ("ela esteve de licença uns meses, e agora tem a criança, obviamente que não merece ser promovida" - não obstante o seu projecto ter corrido de forma brilhante e ter tido um percurso exemplar...) e quando olhamos para as direcções das empresas e são maioritariamente masculinas (ou então são compostas por mulheres na maioria solteiras e sem filhos, ou bastante desprendidas dos mesmos!). Eu própria durante muito tempo achei que isso era natural, na generalidade as próprias mulheres abdicavam das carreiras em prol dos filhos. Mas acredito que as coisas estão a mudar, aliás, têm de mudar. Primeiro, por uma questão de continuidade da espécie a própria sociedade tem necessidade de que as mulheres tenham bebés, portanto convém não lhes dificultar a vida senão cada vez adiaremos mais esta decisão, o que tem muitos contras. Segundo, porque supostamente estamos a evoluir, as coisas têm de levar uma volta, se há países em que o equilíbrio profissional e familiar está instituído (os meus colegas na Dinamarca estão maravilhados, por exemplo!), há que expandir esta forma de vida. Terceiro, porque um trabalhador feliz está muito mais motivado (e já há empresas, como a Google, a assimilar este facto), e se estivermos preocupados com o filho doente que não tem apoio, ou com quem é que vai poder ir buscar a criança à escola, etc e tal, não estaremos tão concentrados. Se, pelo contrário, soubermos que temos flexibilidade, real, não da fingida mas que depois nos é atirada a cara, temos muito mais incentivo para nos focarmos no trabalho e sermos eficientes, para conseguirmos fazer tudo, sabendo que desde que o trabalho apareça feito seremos recompensadas. Ainda outro dia, a J., que tem uma bebé linda de 6 meses, me dizia que nunca na vida foi tão eficiente no trabalho, chegando cedíssimo e perdendo quase tempo nenhum com paragens desnecessárias (cafés, emails e chats com amigos, etc), pois o que mais quer é sair cedo para estar com a filha! A minha própria Mãe sempre teve tempo para nós, mas muitas vezes acordei a meio da noite para ir à casa-de-banho e lá estava ela no computador a compensar as horas "perdidas". Não é fácil, mas acho importante que a sociedade ganhe esta consciência, que paremos de olhar para as mães de lado, todas lá chegaremos (e ainda bem!), se calhar o que precisamos é de um novo modus operandi empresarial, em que seremos todos mais felizes, a começar pelas crianças (sim, porque já todos fomos aquela criança que se esconde na mala da Mãe porque não quer que ela vá de viagem de trabalho... a minha irmã ficava literalmente doente sempre que a minha Mãe se tinha de ausentar!). Não quero ser uma Mãe ausente, em que os filhos escolhem sempre o Pai para tudo (sim, tive uma chefe que me dizia descontraidamente que no avião era uma sorte, as filhas só queriam estar ao pé do Pai... pudera, se a minha Mãe me levasse para o escritório às onze da noite eu também não adoraria!). Por nós e pelo nosso futuro, está na altura de reorganizar as nossas funções, procurar formas diferentes, quiçá melhores, de trabalhar! E da minha parte, uma vénia a todas as Mães (e Pais) trabalhadores que estão presentes na vida dos filhos, como eu espero estar na dos nossos, com tempo para os apanhar onde seja, brincar, conhecer os amigos, conversar, educar e mimar muito. Mesmo que não seja todos os dias, mas quase todos. Que Deus (e o meu patrão!) o permitam!

 

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3 comentários

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De Catarina a 31.03.2015 às 14:07

100% de acordo!
Aquele comentário no artigo sobre começar a trabalhar as 8 da manhã é mesmo verdade. Tenho actualmente só 4 horas por dia para trabalhar (6 se tiver sorte e a pequenota dormir uma sesta daquelas à tarde) - mas nunca na minha vida anterior sonhei que poderia fazer tanta coisa em 4 horas! Estimo que consigo hoje fazer para aí o dobro do trabalho que antes conseguia fazer num determinado espaço de tempo.
Sempre me debati sobre o "business case for mums" e este artigo e o teu comentário dão vários bons argumentos.
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De Claudia a 31.03.2015 às 14:28

Ansiosa para estarmos juntas e debatermos estes temas todos pessoalmente! Saudades! Beijinho enorme para os três :)
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De Catarina a 31.03.2015 às 14:56

:) miss you tons...

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