Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Peripécias e anotações do meu dia-a-dia. Haja alegria! (e família/ amigos, bons petiscos e viagens pelo meio, já agora...)
Passamos a vida a querer mais, sejam mais horas de fim-de-semana, dinheiro na conta ou mesmo sapatos (eu tenho um verdadeiro problema, nunca são demais!). Mas a verdade é que, nem que seja às vezes, importa parar e perceber o quão sortudas/os somos realmente. Aconteceu-me há pouco. Estava eu no edifício da Administração preparada para sair com os 30 cadernos que preciso para a apresentação de amanhã, quando me deparo com um autêntico dilúvio tropical, com direito a raios e trovões. Ontem à tarde vi o "Guerra dos Mundos" e acreditem quando vos digo que as tempestades eléctricas iniciais foram filmadas em Angola!! Ligo imediatamente a pedir apoio para chegar ao departamento, sob pena dos cadernos se desfazerem nas minhas mãos e eu chegar que nem um pinto. Tive direito a capa de chuva, sacos plásticos para tapar os cadernos, guarda-chuva e carro com motorista. Ainda assim encharquei pés e calças, mas podia ser muito pior. Cadernos a salvo, meti-me a caminho de casa e foi aí que me apercebi - tenho mesmo mesmo sorte. Não foram uma nem duas, mas sim dezenas de pessoas que vi a caminhar corajosamente à chuva, sem nada que as protegesse além das roupas simples que vestiam. Muitas farão mais de uma hora para chegar a casa, nestas condições, para se depararem com um casebre inundado, sem condições para se lavarem, secarem e aconchegarem condignamente, já para não falar da (escassa) alimentação. Isto vi eu nos 10 minutos de carro entre a protecção da capa, guarda-chuva e carro até à entrada da minha garagem, para depois me refastelar no sofá após um banho bem quentinho, com roupa lavada e cheirosa, um copo de leite com chocolate quente e uma torrada. Milhões de pessoas mundo fora passarão certamente por estas, e outras, dificuldades, enquanto eu tenho a sorte de estar entre aqueles que vivem uma vida (bastante) confortável, e ainda me queixo de tanta coisa! Que tolice. Tenho que dar graças a Deus por tudo de bom que tenho. Interiorizar a sorte que tenho e sentir-me feliz por ela, mas ao mesmo tempo entristecida por constatar que tantos ainda têm tão pouco. Pela casa que tenho, pelo bom emprego, pela possibilidade de viajar e de comprar as coisinhas que gosto e, sobretudo, pela sorte que tenho de ter o B e uma família espectacular, que mesmo longe consegue estar sempre sempre presente, bem como alguns bons amigos - MUITO OBRIGADA. E agora é fazer por me lembrar disto todos os dias...