Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Sou emigrante também.

por Claudia, em 13.04.15

Estou a viver em Angola há quase 9 meses. Já cá tinha vindo em trabalho por temporadas de um/dois meses seguidos, mas é totalmente diferente vir esporadicamente e morar efectivamente. Quando li este texto revi-me em cada palavra, exprime tão bem o que sinto que o transcrevo na íntegra:

 

Sou emigrante há bem pouco tempo, e sou Maria Capaz desde o dia em que emigrei.
Tantas vezes me despedi. A emigração fez parte da minha infância, da minha adolescência e agora da minha vida adulta. Em criança tantas vez fui ao aeroporto, por vezes para surpreender, outras para ser surpreendida. Tenho flashes que aparecem na minha memória, de pessoas que reencontrei, dos meus tios, dos primos, até do cão da minha tia que tantas preocupações nos dava em cada vinda a Portugal. E depois vem o outro lado, o momento em que os levava, para voltarem para aquilo que era deles e que tanto suor lhes custava. Vi chorar, senti o choro na cara em cada beijo que recebia. Mas não entendia, não chorava, deixava um sorriso para eles, e talvez fosse isso que lhes desse a força de ir, para mais tarde voltar.
Há dois anos e quatro meses que me despeço. Eu parto, os outros ficam. Ou então são os outros que partem e eu que fico. Não sei dizer o que é melhor, não sei se algum dia vai ser melhor. Se algum dia aceitarei o facto de que tenho de partir, que tenho de me despedir. Mesmo que a despedida seja breve, que o próximo reencontro já esteja marcado, no momento de dar o último beijo, o último abraço, não há facto que alivie a partida. E choro, e sinto chorarem. E agora entendo porque choravam, e agora entendo a força que um sorriso inocente pode dar.
Não sei dizer qual a pior, qual a que dói mais, se a primeira que aconteceu há dois anos e quatro meses, ou a que se deu há um dia atrás.
Sei que faz parte de mim a despedida, sei que a encaro e não fujo dela. E é a ela, que tanta dor me causa, que eu agradeço por fortalecer as minhas ligações, as minhas amizades e o meu amor pela família.
A ela agradeço por me tornar uma Maria Capaz.

 

Sem dúvida que, em conjunto com as vivências diárias e únicas que levo daqui, a minha ligação à família, amigos e a Portugal sai fortificada com este êxodo. Às vezes é preciso sentir a falta para dar mais valor...

 


2 comentários

Imagem de perfil

De As Nossas Voltas a 13.04.2015 às 21:58

Como eu me revejo a 100% neste texto! Também eu sou emigrante e também a emigração fez parte da minha infância e da minha adolescência! E sem dúvida que a partida é o que mais custa...
Imagem de perfil

De Claudia a 14.04.2015 às 14:51

Sim, e custam sempre, nem que se vá a casa 5 vezes por ano!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Instagram

view my food journey on zomato!



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D