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TIA - Exhibit #8

por Claudia, em 23.10.14

Hoje ao almoço discutia-se o caso dos "desalojados da Centralidade do Kilamba", e confesso que fiquei perplexa. Ora então, muito resumidamente, o Estado co-financiou gigantes complexos de apartamentos, as tais Centralidades, em várias províncias, para proporcionar uma habitação mais digna às famílias angolanas, sendo que os apartamentos eram vendidos a preços muito baixos, especialmente para Angola. Muitas pessoas compraram os apartamentos como investimento, já que eram tão baratos, e não chegaram a ir para lá viver, alugando-os em alguns casos, ou somente deixando-os lá, quietinhos. Acontece que, e agora sim isto é incrível, algumas pessoas começaram a rondar os apartamentos, avaliando quais estariam vagos, assimilando rotinas, até que finalmente ocuparam os apartamentos vagos. Sim, literalmente ocuparam, trocando fechaduras e mudando a família de armas e bagagens para um apartamento que não era seu. Isto é verídico, aconteceu inclusive a uma colega meu, que passou meses sem ir ver o seu apartamento, até que um dia chega e a chave não rodava, além de se aperceber de barulho lá dentro... Outros casos houve em que, à verdadeiro chico-esperto, as pessoas até compraram os apartamentos, mas em vez de se dirigirem à Imobiliária que estava a tratar da venda, contactaram os "donos" e pagaram um preço muito mais baixo. Infelizmente o desconto não correspondia à comissão da Imobiliária, mas sim ao facto de não estarem a lidar com os donos, somente com aproveitadores da pior espécie, e de também não serem cidadãos cumpridores, pois fecharam transacções ilegais que achavam serem vantajosas, sem direito a contratos ou pagamento de impostos! Há quem fale também em conivência com funcionários da Imobiliária e dos próprios seguranças do complexo. Após variadíssimas queixas, a polícia, por ordem do Tribunal, finalmente agiu (e tenho a dizer que me cheira que a Justiça portuguesa teria demorado mais tempo...). No princípio do ano, a Polícia Nacional deteve uma rede de trabalhadores da Imobiliária, mas só no passado dia 9 de Outubro iniciou as acções de despejo. As pessoas foram notificadas (embora só com 24 horas de antecedência), mas de bradar aos céus é ainda reclamarem - "Acho que eles têm primeiro que conversar com as pessoas. Não é assim. Chegam e pedem logo para as pessoas saírem. Agora onde vamos com as nossas famílias”, lamentou uma moradora obrigada a sair da casa onde vivia a mais de 7 meses. Ilegalmente!! Porque alguns de nós somos obrigados a pagar casa e impostos...

 

Outro abuso incrível da boa fé está a acontecer na centralidade do Zango, onde além de situações semelhantes à descrita, surge outro tipo de oportunistas. No seguimento das obras de requlificação da baía de Luanda, a título de exemplo, muitas pessoas foram desalojadas dos musseques em que viviam, e colocadas em apartamentos novinhos no Zango. Ora muitos chicos-espertos venderam estes apartamentos e mudaram-se agora para outras zonas que sabem serão realojadas em breve. Ao menos parece que estes casos já estão a ser investigados...

 

Toda esta situação se passa em África, mas fez-me voltar a pensar em velhas questões que sempre coloquei, mesmo em Portugal: até que ponto é realmente produtivo ter subsídios de desemprego, de reinserção social, construir bairros inteiros para ciganos e afins, que depois aldrabam na água e luz, nos impostos, mas não trabalham e andam de mercedões. Bem sei que há muita gente que realmente merece e precisa, mas também conheço vários casos destes incentivos sociais mal aplicados. E enquanto isso, a classe média, em Portugal e resto do mundo, é totalmente afogada em impostos. Passa a ideia de que ser certinho não compensa. E certamente não deveria ser este o incentivo a ser passado...

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1 comentário

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De marrocoseodestino a 23.10.2014 às 16:23

Ainda há poucos dias falava com uma colega em relação aos subsídios atribuídos, às pessoas que não querem trabalhar porque os recebem, às casas cedidas pela camara para pessoas que arranjam maneira de provar que necessitam(ainda que não seja verdade) e muito mais.
Revolta muito e eu tenho um caso que me faz revoltar ainda mais. A minha filha trabalha como temporária, ou seja tanto trabalha um dia, uma semana, ou alguns meses e apenas sabe quando fica sem trabalho no dia anterior. Já esta situação me revolta, mas quando foi saber se tinha direito ao subs. de desemprego e lhe disseram que não porque lhe falavam 11 dias de desconto revoltei-me ainda mais. Conheço algumas pessoas que recebem o social e passam os dias no café. Não procuram trabalho e ainda conseguem ir buscar comida a instituições. Muitos que nunca descontaram na vida.
Espero que um dia as coisas mudem.

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