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Um ano.

por Claudia, em 02.12.14

Faz hoje um ano que terminou o pior período da minha vida. Perdi alguém que me era muitíssimo querido, a minha segunda Mãe, que me amava incondicionalmente, com todos os meus defeitos, e a quem eu amava incondicionalmente de volta, com todos os seus. O cancro levou a melhor, e pela primeira vez na vida percebi o horror à volta dessa palavra e dessa doença, que testa os limites do corpo humano, aliás, ultrapassa-os, levando as pessoas à total dependência de terceiros para as actividades mais básicas do dia-a-dia. Ver alguém de quem gostamos tanto passar por isto é extremamente doloroso, mas nada que se compare à dor física e psicológica de estar perfeitamente são mentalmente e apercebermo-nos desta dependência, para além da dor bastante real que a doença provoca. Só quem passa por isto sabe aquilo que estou a falar. Eu própria não percebia, até conviver diariamente com a doença e ver a sua força atroz. E a rapidez da sua destruição. Foram menos de 9 meses entre o diagnóstico e a morte. Sim a morte. Hoje já o consigo dizer. Mas não sem lágrimas nos olhos e um nó na garganta. Um tumor no pâncreas, descoberto por acaso, e demasiado tarde, que provocara uma dor aguda e uma ida às urgências um final de tarde igual a tantos outros. Nunca imaginei. Neste caso a vida foi um ciclo completo. A pessoa que ajudou a cuidar de mim em bebé, foi cuidada também por mim no final. E ainda nos rimos com algumas peripécias. E tudo o que nós podíamos fazer era tentar dar-lhe o maior conforto possível, com a menor dor possível. Neste processo, aprendi muitas coisas. As típicas, que a vida é imprevísivel, por isso devemos aproveitar o momento, viver o presente e deixar de estar sempre a adiar as coisas; que, no final, a família é mesmo o mais importante, e é quem estará lá para nos apoiar e mimar, sempre (seja a verdadeira, ou a escolhida); que nestas alturas nasce em nós uma força que nos permite fazer coisas que nunca imaginámos (e especialmente força para não desatar a chorar cada vez que vemos aquele corpo totalmente transformado, porque temos de ser fortes e transmitir esperança e alegria). E aprendi a dar ainda mais valor à minha Mãe, uma mulher absolutamente fenomenal, que no meio de um horário de trabalho extremamente preenchido, sempre arranjou tempo para estar presente e tratar de tudo, da logística, das pessoas, da cadela, da casa, dos amigos, de tudo e de todos, sempre. Uma verdadeira super-mulher, a minha super-mulher, mesmo nos momentos mais desesperantes, mesmo no meio de uma dor que não imagino sequer, que é a eminência de ficar órfã. Ainda hoje choramos as duas que nem perdidas a falar disto, mas também rimos muito pelos milhares de momentos bons que tivemos todas juntas nos vários anos anteriores. Ainda hoje não consigo evitar emocionar-me ao falar da minha Avó, mas acredito que com o tempo este sentimento suavize. E infelizmente parece que estamos a ser novamente testadas, um ano depois, quando o nosso outro pilar, a nossa querida Tia, permanece nos cuidados intensivos, depois de lhe ter sido removido um tumor no intestino. Mas eu acredito que ela vá recuperar, e que quando eu chegar daqui a duas semanas a vá ver já em pé e activa, como sempre foi. Tenho muita sorte de ter tido estas três Senhoras na minha vida. Muito obrigada por tudo.


1 comentário

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De Mãe a 03.12.2014 às 09:46

Fizeste-me chorar, minha Querida Super Filha!Es um dos meus pilares de quem tenho TANTAS saudades...Love you.

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